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Z escore: o que é, como calcular e como usar na tabela normal

Tempo de leitura: 15 min

Escrito por Anselmo Alves

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Z escore: o que é, como calcular e como usar na tabela normal

Z escore é o número que responde a uma única pergunta: a quantos desvios padrão da média está esse valor? Parece pouco, mas é dessa ideia que saem a tabela da normal, os testes de hipótese, os intervalos de confiança e a detecção de valores atípicos. Se você entende o z escore de verdade, uma fatia enorme da prova de estatística vira conta de dois passos.

O que você vai levar deste artigo: a fórmula do z escore explicada sem enrolação, o passo a passo de cálculo, uma calculadora com o gráfico da normal sombreado, as pegadinhas que as bancas repetem e questões resolvidas no estilo Cebraspe, FGV e FCC.

O que é o Z escore

O z escore, também chamado de escore padronizado ou escore reduzido, mede a distância entre um valor e a média da distribuição, usando o desvio padrão como régua.

Pense em duas informações soltas: “o candidato tirou 78 pontos” e “o candidato tirou 1,6 desvio padrão acima da média”. A primeira depende da prova. A segunda vale para qualquer prova, qualquer escala, qualquer unidade. É essa tradução para uma régua universal que o z escore faz.

Definição. O z escore de um valor é o número de desvios padrão que separa esse valor da média da distribuição, com sinal indicando o lado.

Quando aplicamos essa transformação a todos os valores de uma variável, obtemos uma nova variável com média zero e desvio padrão um. Se a variável original for normal, a variável padronizada é a normal padrão, escrita como \(Z \sim N(0;1)\), que é justamente a distribuição tabelada nas provas.

A fórmula do Z escore

Para uma variável populacional com média \(\mu\) e desvio padrão \(\sigma\):

$$Z = \dfrac{X – \mu}{\sigma}$$

Quando você trabalha com dados amostrais, troca os parâmetros pelas estimativas: a média amostral \(\overline{x}\) e o desvio padrão amostral \(s\).

$$z = \dfrac{x – \overline{x}}{s}$$

A leitura é sempre a mesma: no numerador, o quanto o valor se afasta do centro; no denominador, quanto vale um “passo” de afastamento nessa distribuição.

O caso da média amostral

Aqui mora o erro mais caro da prova. Quando a questão pergunta sobre a média de uma amostra, e não sobre um valor individual, o denominador muda: entra o erro padrão da média, não o desvio padrão da população.

$$Z = \dfrac{\overline{X} – \mu}{\dfrac{\sigma}{\sqrt{n}}}$$
Leia a questão com lupa. “Qual a probabilidade de um item pesar mais de 540 g?” usa \(\sigma\). “Qual a probabilidade de a média de 25 itens passar de 540 g?” usa \(\sigma/\sqrt{n}\). A banca troca uma palavra e metade da sala erra.

Como interpretar o valor do Z escore

Três informações saem direto do número:

  • O sinal diz o lado. Negativo é abaixo da média, positivo é acima, zero é exatamente a média.
  • O módulo diz a distância em desvios padrão. Um z escore de 2,5 está duas vezes e meia mais longe do centro do que um desvio padrão.
  • A raridade vem da tabela. Em uma distribuição normal, quanto maior o módulo, menor a probabilidade de ocorrer algo tão extremo.

A regra empírica dá uma noção rápida de magnitude para distribuições aproximadamente normais:

IntervaloFaixa de valoresPercentual aproximado dos dados
−1 a +1μ ± 1σ68%
−2 a +2μ ± 2σ95%
−3 a +3μ ± 3σ99,7%
Se você calcular um z escore igual a 4,8 em uma questão de prova, desconfie da conta antes de marcar. Valores assim são raríssimos e quase sempre indicam que o desvio padrão foi confundido com a variância.

Passo a passo para calcular o Z escore

  1. Identifique o valor de interesse \(x\), aquele sobre o qual a questão pergunta.
  2. Localize a média \(\mu\) ou \(\overline{x}\) no enunciado.
  3. Confirme se o enunciado deu desvio padrão ou variância. Se deu variância, extraia a raiz quadrada antes de usar.
  4. Decida se o alvo é um valor individual ou uma média amostral. No segundo caso, divida o desvio padrão por \(\sqrt{n}\).
  5. Aplique a fórmula e mantenha o sinal.
  6. Leve o z para a tabela se a questão pedir probabilidade, percentil ou região crítica.
Exemplo rápido. Em um concurso, a nota média foi 62 pontos com desvio padrão 8. Um candidato tirou 78. Qual o z escore dele?
\(z = \dfrac{78 – 62}{8} = 2\). O candidato está 2 desvios padrão acima da média, o que o coloca aproximadamente no percentil 97,7 da distribuição.

Calculadora de Z escore com gráfico da normal

Informe o valor, a média e o desvio padrão. A calculadora devolve o z escore, a probabilidade da região escolhida e desenha a área correspondente sob a curva normal padrão.

Z escore
Calculadora de Z escore
Converta qualquer valor em escore padronizado e visualize a área sob a curva normal.
Região de interesse
Verifique os dados: o desvio padrão precisa ser um número maior que zero e os demais campos devem conter valores numéricos.
Z escore
Probabilidade
Percentil
Z crítico
Calculadora inversa: da probabilidade para o Z
Informe a probabilidade e descubra o valor crítico usado em testes de hipótese e intervalos de confiança.
A probabilidade informada corresponde a
A probabilidade precisa ser um número estritamente entre 0 e 1.
Z crítico
Área considerada
Use a calculadora para treinar leitura de tabela: calcule o z escore de uma questão, confira a área na cauda superior e compare com o valor tabelado que a banca forneceu. Em pouco tempo os valores 1,64, 1,96 e 2,33 ficam automáticos.

Como usar o Z escore na tabela da normal padrão

A tabela da normal padrão relaciona valores de z com áreas sob a curva. O problema é que existem três formatos diferentes de tabela circulando nas provas, e confundi-los custa a questão inteira:

  • Tabela acumulada — fornece \(P(Z \le z)\), a área desde o extremo esquerdo até z.
  • Tabela central — fornece \(P(0 \le Z \le z)\), a área entre a média e z. É a mais comum em provas brasileiras.
  • Tabela de cauda superior — fornece \(P(Z \ge z)\), a área na ponta direita.
Sempre leia o cabeçalho da tabela antes de usar. Se a tabela é central e vale 0,4772 para z = 2, a probabilidade acumulada é 0,5 + 0,4772 = 0,9772. Quem esquece de somar o 0,5 marca a alternativa errada com total convicção.

Como a curva normal é simétrica em torno de zero, valores negativos não precisam de tabela própria:

$$P(Z \le -z) = P(Z \ge z) = 1 – P(Z \le z)$$

Valores de Z que você deve saber de cor

ZÁrea acumulada P(Z ≤ z)Onde aparece
1,280,900Percentil 90
1,6450,950Teste unilateral a 5%
1,960,975Intervalo de confiança de 95%
2,330,990Teste unilateral a 1%
2,5760,995Intervalo de confiança de 99%

Referência técnica: NIST/SEMATECH — Cumulative Distribution Function of the Standard Normal Distribution

Para que serve o Z escore na prática

Comparar desempenhos em escalas diferentes

Duas provas com médias e dispersões distintas não são comparáveis pela nota bruta. Pelo z escore, sim. Um candidato com 78 em uma prova de média 70 e desvio padrão 5 tem z = 1,6. Outro com 88 em uma prova de média 80 e desvio padrão 10 tem z = 0,8. O primeiro teve desempenho relativo melhor, mesmo com nota bruta menor.

Identificar valores atípicos

O critério mais usado marca como outlier qualquer observação com \(|z| > 3\). Alguns autores adotam o corte em 2 para amostras pequenas. É uma regra prática, não um teste formal, e as bancas costumam cobrar exatamente essa distinção.

Sustentar testes de hipótese

A estatística de teste \(Z\) é um z escore disfarçado: mede a distância entre a estimativa e o valor hipotético, em unidades de erro padrão. Se essa distância supera o valor crítico, a hipótese nula cai.

Padronizar variáveis em ciência de dados

Em aprendizado de máquina, a padronização por z escore é conhecida como standardization ou StandardScaler. Algoritmos baseados em distância, como k-NN, k-means e SVM, exigem essa etapa; caso contrário, a variável de maior escala domina o cálculo.

Escore T, QI e outras escalas padronizadas

O z escore incomoda em relatórios porque produz números negativos e quebrados. A solução usual é reescalá-lo:

EscalaTransformaçãoMédiaDesvio padrão
Escore Zz01
Escore T50 + 10z5010
QI (Wechsler)100 + 15z10015
Enem (escala usual)500 + 100z500100
Detalhe que rende questão: todas essas escalas são transformações lineares do z escore. Elas mudam média e desvio padrão, mas não alteram a posição relativa das observações nem o formato da distribuição.

O que a padronização faz e o que ela não faz

FazNão faz
Zera a média e iguala o desvio padrão a 1Não transforma dados assimétricos em normais
Elimina a unidade de medidaNão altera o coeficiente de assimetria nem a curtose
Permite comparar variáveis de escalas diferentesNão muda a correlação entre variáveis
Preserva a ordem das observaçõesNão remove outliers, apenas os evidencia
Erro clássico: afirmar que “padronizar os dados torna a distribuição normal”. Falso. A padronização é uma transformação linear. Se a distribuição original era assimétrica à direita, ela continua assimétrica à direita depois da padronização, apenas com média zero e desvio padrão um.

Pegadinhas de prova sobre o Z escore

ArmadilhaComo escapar
Enunciado fornece a variância, não o desvio padrãoExtraia a raiz antes de dividir. Variância 25 significa σ = 5.
Pergunta sobre a média amostral, mas você usa σUse o erro padrão σ/√n no denominador.
Tabela central confundida com tabela acumuladaSome 0,5 quando a tabela fornecer a área a partir da média.
Sinal negativo tratado como erro de contaz negativo é normal: significa apenas valor abaixo da média.
Afirmar que a padronização normaliza os dadosEla só reescala. O formato da distribuição permanece.
Confundir o z escore com o valor-pO z é a distância padronizada; o valor-p é a área associada a ela.

Questões resolvidas sobre Z escore

Três questões reais de bancas diferentes, cada uma explorando um aspecto distinto da padronização. Tente resolver antes de abrir a resolução.

Questão 1 — FGV, 2023, Fiscal de Rendas (Prefeitura do Rio de Janeiro)
Seja \(X_1\) uma variável aleatória com distribuição normal de probabilidade, de média 2 e desvio padrão 4. Seja \(X_2\) uma variável aleatória com distribuição normal de probabilidade de média 1 e desvio padrão igual a 2. É correto afirmar que:
a) \(P(X_1 < 3{,}6) = P(X_2 < 1{,}8)\)
b) \(P(X_1 < 3{,}6) = 1 – P(X_2 < 1{,}8)\)
c) \(P(X_1 < 1{,}8) = P(X_2 < 3{,}6)\)
d) \(P(X_1 < 1{,}8) = 1 – P(X_2 < 3{,}6)\)
e) \(P(X_1 < -1{,}8) = P(X_2 < -3{,}6)\)
Ver resolução
Gabarito: letra A.
A questão parece pedir contas com tabela, mas não pede nenhuma. Ela testa apenas se você entende que duas normais diferentes produzem a mesma probabilidade sempre que o z escore for igual.
Padronizando o valor 3,6 na primeira variável:
$$z_1 = \dfrac{3{,}6 – 2}{4} = \dfrac{1{,}6}{4} = 0{,}4$$
Padronizando o valor 1,8 na segunda:
$$z_2 = \dfrac{1{,}8 – 1}{2} = \dfrac{0{,}8}{2} = 0{,}4$$
Os dois valores estão a 0,4 desvio padrão acima da média das respectivas distribuições. Logo \(P(X_1 < 3{,}6) = P(Z < 0{,}4) = P(X_2 < 1{,}8)\), e a alternativa A está correta.
Por que as outras caem: na letra C, \(z\) valeria \(-0{,}05\) e \(1{,}3\), que não coincidem. Na letra E, \(-0{,}95\) e \(-2{,}3\). Quem tenta comparar os valores brutos, sem padronizar, marca qualquer uma delas.
Teste na calculadora: informe x = 3,6, μ = 2, σ = 4 e depois x = 1,8, μ = 1, σ = 2. O z escore e a área sombreada saem idênticos nos dois casos.
Questão 2 — Cesgranrio, 2011, Profissional de Nível Superior (Petrobras) / Estatística
A altura das mulheres de uma população segue uma distribuição normal de probabilidade, com média 1,60 e variância 0,0036. Na população considerada, cerca de 95% das mulheres têm altura entre:
a) 1,42 e 1,78
b) 1,48 e 1,72
c) 1,50 e 1,70
d) 1,54 e 1,66
e) 1,59 e 1,61
Ver resolução
Gabarito: letra B.
Primeiro passo, e é onde a maioria perde a questão: o enunciado deu a variância, não o desvio padrão.
$$\sigma = \sqrt{0{,}0036} = 0{,}06$$
Pela regra empírica, cerca de 95% das observações de uma normal caem no intervalo de dois desvios padrão em torno da média:
$$\mu \pm 2\sigma = 1{,}60 \pm 2 \times 0{,}06 = 1{,}60 \pm 0{,}12$$
O intervalo é de 1,48 a 1,72, que é exatamente a alternativa B. Usando o valor exato \(z = 1{,}96\) em vez de 2, o resultado seria de 1,4824 a 1,7176, que arredonda para o mesmo par.
As armadilhas montadas pela banca:
A letra D, 1,54 e 1,66, é o intervalo \(\mu \pm 1\sigma\), que cobre 68% e não 95%. A letra A, 1,42 e 1,78, é \(\mu \pm 3\sigma\), que cobre 99,7%. A letra E é o intervalo de quem usou 0,0036 como se fosse o desvio padrão. Cada alternativa errada corresponde a um erro específico e previsível.
Questão 3 — IBFC, 2022, Analista (EBSERH HU-UNIFAP) / Estatística
Num modelo de distribuição normal de probabilidade verificou-se que o tempo médio para a produção de uma peça é de aproximadamente 150 minutos com desvio padrão de 40 minutos. Nessas condições, a porcentagem que representa tempo maior que 150 minutos na produção de peças é igual a:
a) maior que 70%
b) menor que 20%
c) entre 20% e 30%
d) 50%
e) entre 70% e 80%
Ver resolução
Gabarito: letra D.
O valor de interesse é justamente a média. Padronizando:
$$z = \dfrac{150 – 150}{40} = 0$$
Como a curva normal é simétrica em torno da média, o ponto \(z = 0\) divide a distribuição em duas metades iguais:
$$P(X > 150) = P(Z > 0) = 0{,}50$$
A resposta é 50%, letra D.
O detalhe que a banca quer testar: o desvio padrão de 40 minutos é informação irrelevante para essa pergunta. Qualquer que fosse o valor de \(\sigma\), a probabilidade de superar a média em uma distribuição simétrica é sempre 50%. O candidato que se sente obrigado a usar todos os números do enunciado perde tempo procurando o 40 na tabela.
Repare no padrão das três questões: nenhuma delas exigiu consultar tabela. A FGV cobrou equivalência de z escores, a Cesgranrio cobrou a regra empírica com a pegadinha da variância, e o IBFC cobrou simetria. Dominar o conceito resolve mais que decorar valores.
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Veja mais questões na seção de PROVAS.

Perguntas frequentes sobre Z escore

O que significa um Z escore negativo?
Significa que o valor observado está abaixo da média da distribuição. O sinal indica apenas o lado, nunca um erro de cálculo. Um z escore de −1,5 informa que o valor está uma vez e meia o desvio padrão abaixo do centro.
Qual a diferença entre Z escore e escore padronizado?
São o mesmo conceito. As bancas alternam entre os termos z escore, escore padronizado, escore reduzido e variável padronizada. Todos se referem à transformação que subtrai a média e divide pelo desvio padrão.
Preciso que os dados sejam normais para calcular o Z escore?
Não. O cálculo do z escore funciona em qualquer distribuição, porque é apenas uma transformação linear. A normalidade só é exigida quando você quer converter o z escore em probabilidade usando a tabela da normal padrão.
A partir de qual Z escore um valor é considerado outlier?
O critério mais difundido considera atípico o valor com módulo do z escore acima de 3. Em amostras pequenas, alguns autores adotam o corte em 2. É uma regra prática de exploração de dados, não um teste estatístico formal.
Quando usar o desvio padrão e quando usar o erro padrão no Z escore?
Use o desvio padrão quando a questão trata de um valor individual da distribuição. Use o erro padrão, que é o desvio padrão dividido pela raiz do tamanho da amostra, quando a questão trata da média de uma amostra.
Padronizar os dados transforma a distribuição em normal?
Não. A padronização apenas move a média para zero e ajusta o desvio padrão para um. O formato da distribuição, incluindo assimetria e curtose, permanece exatamente o mesmo.
Qual a diferença entre Z escore e estatística t?
A estatística t segue a mesma lógica, mas usa o desvio padrão amostral quando o populacional é desconhecido. Nesse caso a distribuição de referência deixa de ser a normal padrão e passa a ser a t de Student, com caudas mais pesadas. Com amostras grandes, as duas praticamente coincidem.

Resumo do que fixar sobre o Z escore

  • O z escore mede quantos desvios padrão separam um valor da média.
  • A fórmula é o desvio em relação à média dividido pelo desvio padrão.
  • Para médias amostrais, o denominador vira o erro padrão σ/√n.
  • A variável padronizada tem média zero e desvio padrão um.
  • Padronizar não normaliza: assimetria e curtose permanecem iguais.
  • Sinal indica o lado; módulo indica a distância; tabela indica a probabilidade.
  • Guarde 1,645, 1,96 e 2,576 — eles resolvem a maioria das questões de intervalo e teste.
  • Sempre confira se o enunciado deu desvio padrão ou variância.
Próximo passo: pratique com a calculadora acima usando os dados de questões que você já errou. Depois, aprofunde na distribuição normal e no qui-quadrado, que dependem diretamente do conceito de padronização.

Veja mais termos estatísticos no glossário.

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